A guerra no Sudão empurra 19,5 milhões de pessoas para a fome aguda
Quase 20 milhões de pessoas no Sudão enfrentam agora insegurança alimentar aguda, concentrada no Darfur e no Cordofão, enquanto a guerra civil entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido prossegue. A Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar, apoiada pela ONU, indica que mais de 40 por cento da população não tem acesso suficiente a alimentos, com o deslocamento forçado e o risco de fome a acelerar. Separadamente, a Human Rights Watch documentou o emprego de mercenários colombianos, recrutados por empresas sediadas nos Emirados Árabes Unidos, a combater ao lado das FAR — uma força já implicada em crimes de guerra contra os povos Fur, Masalit e Zaghawa.
Brasil inicia a demarcação do território indígena Kawahiva
Após 27 anos de espera, o governo brasileiro deu início à demarcação oficial do território indígena Kawahiva do Rio Pardo, conferindo proteção formal ao povo Kawahiva — em isolamento voluntário — e às suas terras. A medida resulta de uma mobilização sustentada por organizações de direitos dos povos indígenas e está em conformidade com as obrigações decorrentes da Convenção n.º 169 da OIT e da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Em desenvolvimento conexo, tribunais brasileiros reforçaram a resistência à mineração em grande escala em terras indígenas, exercendo pressão jurídica crescente sobre empresas mineradoras estrangeiras que operam na Amazónia.
Irão intensifica confiscos de bens e detenções de bahá'ís
As autoridades iranianas confirmaram o confisco de bens pertencentes a mais de 100 pessoas, incluindo membros da comunidade bahá'í, sob acusações de «apoio ao inimigo». Organizações de direitos humanos relatam que dezenas de bahá'ís permanecem em detenção arbitrária, muitos detidos sem acusação formal e sem acesso à família ou a advogado. A fé bahá'í, a maior minoria religiosa não muçulmana do Irão, não tem reconhecimento legal no âmbito da República Islâmica. Os mais recentes confiscos e detenções representam um aperto contínuo da pressão estatal sobre uma comunidade já sujeita a décadas de perseguição.
Tribunal australiano aprecia acusações de escravidão do EI contra uma adolescente yazidi
Duas mulheres australianas repatriadas da Síria encontram-se detidas em Melbourne, acusadas de terem escravizado uma adolescente yazidi em Raqqa durante 2017–2018. As audiências judiciais detalharam as condições de liberdade sob caução à medida que o processo avança. Os casos estão entre os primeiros a ser apreciados por um tribunal australiano relativamente a crimes cometidos contra os yazidis durante o genocídio perpetrado pelo Estado Islâmico. Mais de uma década após o ataque a Sinjar, milhares de yazidis continuam desaparecidos, e os processos judiciais fora do Iraque e da Síria permanecem raros. O processo tem um significado mais amplo para os sobreviventes yazidis que procuram responsabilização através de sistemas jurídicos estrangeiros.
A repressão chinesa sobre os uigures muda de forma, mas não cessa
Embora a maioria dos campos de «reeducação» em massa em Xinjiang tenha encerrado, uma rede de centros de detenção e prisões permanece ativa, sustentada por uma vigilância digital e física alargada. Reportagens da NPR descrevem separações familiares em curso, trabalho forçado e apagamento cultural sistemático como parte da política estatal de supressão da identidade uigure. A transição dos campos para prisões e para uma monitorização generalizada representa uma mudança de método, não de objetivo. A repressão subjacente continua em grande medida inalterada.
Governo tibetano no exílio empossa presidente para segundo mandato
Penpa Tsering tomou posse para um segundo mandato consecutivo como presidente da Administração Central Tibetana em Dharamsala, na Índia, na sequência da quarta eleição direta desde que o Dalai Lama renunciou ao seu papel político em 2011. A embaixada da China na Índia emitiu uma declaração rejeitando a administração no exílio como não reconhecida e sem autoridade sobre os assuntos tibetanos. A eleição sublinha o compromisso da comunidade no exílio com a autogovernação democrática, ainda que Pequim mantenha que nenhuma autoridade política tibetana legítima existe fora das suas próprias estruturas.
Ataques aéreos paquistaneses matam crianças em províncias fronteiriças afegãs
A 10 de junho, ataques aéreos paquistaneses atingiram três províncias afegãs, matando pelo menos 13 pessoas, incluindo 11 crianças. Os ataques sucedem a meses de hostilidades transfronteiriças entre o Paquistão e o governo talibã em Cabul. Os ataques suscitaram condenação internacional, mas nenhuma intervenção concreta, refletindo um padrão de resposta contida à violência no Afeganistão desde a retirada de 2021. A escalada aprofunda a insegurança em regiões onde as comunidades hazara e outras minorias já estão em risco de violência dirigida — uma ligação assinalada por observadores de direitos humanos a título de contexto, embora as fontes citadas cubram os ataques aéreos em si e não uma dimensão específica relativa aos hazara.
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